About me
Eu estava sentado na beirada de um prédio, observando a cidade. Ela parecia bem tranquila naquele pôr-do-sol de quinta feira. Nada de assaltos, perseguições, ou problemas à vista.
Prazer, Homem-Aranha. Eu não sou o legítimo, mas me pareceu adequado continuar usando o mesmo nome.
Minha identidade secreta? Lucas Rocha Santos.
Segundo minha amiga, isso é perfeito para mim. Tenho o mesmo físico de Parker e sou muito protetor. Não pensei duas vezes para aceitar o “cargo”.
Engraçado o que ele fez: uma seleção de herois por vários lugares do mundo, para continuar o trabalho dele. É claro, ele não poderia ser o Homem-Aranha para sempre, mas ainda é estranho ser chamado assim.
Acho que não sou como os outros escolhidos, sei lá, não sou muito alto, nem forte e não me considero bonito. Mas como minha amiga diria, eu tenho um coração gigante. Sempre faço tudo para proteger meus amigos e minha família, ou seja, onde tem briga eu estou no meio. Talvez eu seja impulsivo demais quando se trata dessa questão de lealdade, mas não me arrependo de nada que já tenha feito; se precisasse, faria tudo de novo.
Meu maior defeito é ser preguiçoso. Não para salvar pessoas – isso está no meu sangue, eu acho – mas para coisas simples como limpar a casa. Irônico, não?
Naquela tarde eu nem vestia meu uniforme de super-heroi, só minha camisa xadrez preferida e jeans escuros. Meu headphone estava no pescoço, tocando Paramore. Era fácil pensar ali em cima, escutando música no volume máximo.
Eu estava pensando justamente nesse meu segredo, na responsabilidade de ser o Homem-Aranha. Ora, eu não posso sair por aí falando quem sou, não é? E ao mesmo tempo em que não posso contar a qualquer um, me mata ter que mentir sobre isso. Odeio mentiras. Argh. Ossos do ofício.
Ri enquanto me lembrava da época em que meu tempo livre era preenchido por animes como Bleach e Naruto. Isso parecia tão distante... Como se fosse a vida de outra pessoa. Mas como disse antes, não me arrependo: é como se eu estivesse destinado a proteger os outros.
A música que eu escutava mudou. Quietdrive, eu acho. Mas não tive como ter certeza. Um grito não muito longe dali pedia por socorro.
Levantei-me, suspirei e sorri. Talvez fosse esse o principal motivo porque me escolheram. Meu sorriso. Dizem que ele é único, contagiante, de anjo. Quem sabe...?
Lancei minha teia em direção ao prédio mais próximo enquanto os primeiros tons de azul tingiam o céu.
Por
Palavras são arte